A História da Transfusão Sanguínea

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· O Pai Divino diz
· "Para aqueles que estão constantemente devotados e Me adoram com amor extático, Eu dou a compreensão com a qual eles podem vir a Mim".
· ( Bg. Gita 10-10 ) "Eu sou a semente geradora de todas as existências. Não há um ser móvel ou imóvel que possa existir sem Mim". ( Bg. Gita 10-39 )
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· A partir do exterior aprendemos a conhecer o interior. Há no homem um firmamento como no céu, mas não de uma parte; há duas. Pois a mão que separou a luz da treva, e que criou o céu e a Terra, fez o mesmo no microcosmo abaixo, tendo tomado do alto, e encerrado dentro da pele do homem, tudo que está contido no céu. Por esta razão, o céu exterior é um guia para o céu interior.
· Pois o céu é o homem e o homem o céu, e todos os homens formam um só céu, e o céu é apenas um homem.
· Paracelso Sec. XV
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· Aspectos Históricos
· A utilização de sangue humano como fonte de energia, vem de eras muito remotas, em que era difundido o uso de beber sangue, para aplacar a sêde da alma, vivificar o corpo, trazer juventude e alegria de viver. Anotações muito preciosas de Giordano, de Alfieri e de Pazzini, referem que as primeiras tentativas de transfusão foram antiquíssimas e sugerem que os antigos egipcios, praticavam a transfusão em benefício de altas personalidades. E que eram conhecidas tambem pelas civililizações Hebraica, Árabe e Romana. No decorrer dos tempos, a introdução de novo sangue no organismo foi tentada por diversas vias, e seu uso era conhecido por Aristóteles, Lucrezio Caro, Plínio e outros.
· Acreditava-se tambem que o banho externo ( banho cruento ), fosse benéfico, com o objetivo de ativar os poderes de defesa do organismo, como antianafilático, e estimulante das glândulas endócrinas. Refere-se à Tanaquila, esposa do rei Tarqüínio Prisco (577 a. C.), que teria dado inútilmente o seu sangue, para tentar salvar o seu rei mortalmente ferido. Nas obras dos filósofos Erófilo e Eristrato, da escola de Alexandria (307-300 a. C.), e nas de Plínio e de Celso existem anotações que não deixam margem à duvida sobre a utilização da transfusão de sangue.
· Num trecho de Metamorfose (L. VII ) de Ovídio, a referencia a transfusão é clara: Qui nune dubitates inertes ?
· Stringete, ait, gladios, veterenque haurite cruorem, Ut repleam vacuas juvenile sanguine venas. Após a queda do império romano, não se encontraram sinais desta prática médica, mas que deve ter sido utilizada, principalmente na idade média. Em 1479, Marsilio Ficino , em suas obras, aconselhava aos idosos que quisessem ter longa vida, a beberem o sangue de jovens sadios, fortes e valentes, garantindo um efeito "milagroso", expressão que se encontra também na obra de Leonardo Fioravanti "Caprichos Medievais" Está citado na "Vida de Gerolamo Savonarola " de Villari, que em 1492 um médico judeu, fez uma transfusão infrutífera, in articulo mortis, no Papa Inocêncio VIII, com sangue extraido de 3 meninos de 10 anos, que falaceram logo depois, não se sabe se por dessangramento, ou embolia gasosa. Em 1550, Gerolamo Cardamo escrevia: "Sunt qui cum alio juvene benorum morum duplici fistula, alii unica commutare sanguinem posse sperent : quod si fiat commutabuntur etiam mores". Em 1569, a circulação sanguínea foi descoberta por Andrea Cisalpino, e descrita por Guilherme Harvey em 1628, quando a transfusão conquistou uma base verdadeiramente científica. E que apesar de algumas experiências bem sucedidas, abriu as portas à muitos desastres de incompatibilidade bem intencionados. Porem esta prática, começou a ser estudada em animais e em seres humanos por médicos de todas as nacionalidades civilizadas. Em 1615, Andrea Libavio di Halle, menciona a técnica, de usar um tubo de prata para transfusão de artéria à artéria.
· Em 1628, Giovanni Colle di Cividale ( Belluno), demonstra ter noções precisas de transfusão veia à veia. As muitas tentativas mal sucedidas, fizeram com que Patter, um teólogo inglês, insistisse para que os médicos abandonassem esta técnica, e durante algum tempo não se publicou nada à respeito de novas experiências.
· Entre 1664-1667, Meyer, publicou sua experiência de anticoagulação no sangue colhido, adicionando um sal alcalino (sal de corno de cervo, flôres com sal amoníaco)
· Em 1666, Lower transfunde um homem com sangue de animal.
· Em 1668, Clark pubicou no No 35 dos atos da Sociedade Real de Londres, suas experiências, baseado em trabalhos de Cristóforo Wren, com com injeção de outros líquidos ( vinho, cerveja, leite, licores, soro, e sangue, em animais diversos, utilizando uma cânula com dois cotovêlos opostos, para poder introduzir com mais facilidade, um ramo na artéria de um animal, e o outro ramo na veia de outro Ainda em 1668, Jean Denis professor de Filosofia e matemática, médico de Luiz XV, (que já havia reclamado a prioridade de uma transfusão de sangue de animal para o homem, com sucesso em 1667, sendo que numa destas transfusões, usou sangue de vitela para acalmar e curar o delírio frenético de um paciente que apresentou, dor no baço em que a infusão tinha sido realizada, pulso acelerado e irregular, vômitos, diarréia , dor lombar, e urina escura) faz uma transfusão num paciente que morre quase instantaneamente. A viúva move-lhe um processo que abala a opinião publica, e o tribunal de Chatelet, passa então a proibir novas transfusões, sem a aprovação dos médicos da Faculdade de Paris, que em 1670, declarou-se inapelávelmente contrária a mesma.
· Depois deste fato muito tempo se passou, sem que quase nada fosse publicado.
· Em 1818 James Blundell, relatou em Londres, o sucesso de uma transfusão, de um homem à outro usando uma seringa, e propõe esta prática no tratamento de hemorragias graves, e em 1825, Milne e Edwards, confirmam esta prática.. Em 1870, J. Roussel, publica o livro "A Transfusão de sangue Humano" onde relata sucesso em 16 de 35 transfusões homem a homem, efetuadas por ele. Nesta época as transfusões já eram mais comunmente utilizadas, e não eram raros os seus insucessos. EM 1880, Harvey iniciou um estudo sério sobre modificação dos glóbulos, taxa de hemoglobina e valor globular, estabelecido até hoje.
· Em 1885, Bishoff, conclui que sangue desfibrinado era mais bénefico, e que só se devia atribuir poder vivificador aos glóbulos da mesma espécie.Várias tentativas diferentes foram feitas por diversos pesquisadores para anticoagulação do sangue, mas infrutíreras. Em 1900, Landsteiner, em suas pesquisas sobre isoaglutininas, definiu que haviam grupos sanguíneos diferentes entre as pessoas, o que permitiu, a identificação de diferentes grupos sanguíneos por Jansky, em 1907, e contribuições de Moss (1910), assim como de Lattes, permitiram uma ampla aplicação prática com um fantástico numero de resultados favoraveis, e um mínimo de insucessos que começaram a ser esclarecidos. Em 1913, Ottenberg e Kaliski, estabeleceram um postulado básico, batizado como a "Lei de Ottemberg" : A transfusão será teóricamente possivel, sempre que os glóbulos vermelhos do doador, não sejam aglutinados pelo soro do receptor. Em 1914, Agote, em Buenos Aires, Hustin na Bélgica, e Lewisohn em Nova York, em trabalhos independentes, utilizaram o citrato como anti-coagulante
· Em 1916, Rous e Turner, adicionaram a destrose ao citrato, permitindo a preservação do sangue in vitro. Este fator, foi outro marco importantíssimo, pois permitiria o armazenamento do sangue para estocagem. Em 1926, surge em Moscou, o pioneiro "Centro de Hematologia e Transfusão de Sangue". E na década de 30, os centros de transfusão já se proliferavam pelo Mundo. Em 1940, Landsteiner e Wiener, injetando sangue de macacos rhesus em cobaias, descobriram um soro que aglutina as hemácias de 85% das pessoas, sendo creditado a eles o descobrimento do sistema Rh. A partir de então estava formada, uma base sólida para a prática da transfusão de sangue.
· 1994, a hemoterapia, vem atingindo, um progresso vertiginoso. Ainda existem, incontáveis aspectos imunológicos à esclarecer, e apesar de 1em cada 33.000 transfusões ainda haver incompatibilidade, nesta década, as atenções estão muito mais voltadas para as doenças infecciosas, passíveis de serem transmitidas do doador ao receptor. As técnicas e as facilidades de autotransfusão, estão cada vez mais se aprimorando, pois será o passo seguro com relação ao problema atual. Para os pacientes que não podem se valer desta prática, a seleção de doadores é cada vez mais minuciosa, tecnicas de rastreamento a fim de eliminar doadores positivos, estão sempre se aperfeiçoando. Porém tem-se conciencia de que no presente, pode-se estar transmitindo doenças desconhecidas, por transfusão, e desta forma cada vez mais se desenvolvem processos de inativação de agentes infecciosos nos componentes sanguíneos, onde poderá se iniciar a era prática da irradiação controlada, assim como de luz ultravioleta ou outras, que ainda possam ser descobertas, da aplicação de temperatura, e muitos outros processos. Pode ser que no futuro, consigamos isolar por exemplo, a molécula da hemoglobina funcionante, de forma purificada e ínócua, como os fatores de coagulação tratados, para inativação viral. E que, provavelmente, através da engenharia genética, e medicina ortomlecular, consigamos também, estimular mecanismos imunitários através da purificação, e indução, de fatores estimulantes de colônias, específicos, para efetivo combate interno contra o HIV, o cancer, doenças autoimunes e outras, e mesmo descobrir e purificar elementos, como hormônios, ainda desconhecidos, que ajudariam o homem a usar todo o potencial de seu cérebro, e ele, não tivesse que usar só 10% dele como se afirma, como até para realmente fornecer saúde, e prolongar a própria vida. E quem sabe um dia, descobrir e registrar a presença do Prana a verdadeira energia da vida, tão conhecido da milenar medicina oriental, mas ainda não isolado, se é que isto é possivel. A medicina ocidental, tem o costume de só acreditar em algo, depois de provado científicamente, e isto tem o seu lado positivo, mas deve também abrir os olhos, para tratados sagrados e imemoriais, em que grandes sábios fazem alusão a muitas coisas já confirmadas, e outras que um dia serão descobertas. Na ciência do corpo nada se inventa , tudo se descobre. Na hemoterapia prática de hoje, ainda é dada pouca importância, aos incontáveis antígenos "menores" que constantemente, estão sendo descobertos, e surgirão trabalhos, correlacionando a sua arrumação celular, com patologias, e com marcadores genéticos. O sistema HLA, que ainda se tem muito a descobrir, e outros sistemas que nem imaginamos, que podem estar relacionados à saude, à longevidade, ao desenvolvimento dos potênciais humanos, e à própria alegria de viver. É como se nossos ancestrais, tivessem a intuição das maravilhas que o sangue contém, quando desejavam bebê-lo, banhar-se nele, e até, tentar administra-lo no corpo por todas as vias possíveis, percebendo que ele é realmente o líquido da vida.
· É certo que todos estes fatores estão presentes, circulando pelo sangue, a espera de um dia serem descobertos.
· Todas as tentativas de acerto que verificamos ao longo da história, foram praticadas, em sua quase totalidade, por pessoas sérias e capazes, e que dentro de suas possibilidades, suas tentativas, erros e acertos, muito contribuiram na sua época, e também para a nossa época. Não sabemos onde estarão agora, mas fizeram o seu trabalho. E que nós, façamos o nosso, em benefício não só desta geração, mas tambem das geraçoes futuras. Isto é a história, que passa, passa, e assim vai...
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